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  • O primeiro erro de quase todo profissionais não é cobrar barato.

    É pensar como cliente quando deveria aprender a pensar como empresário.

    Existe uma pergunta que destrói milhares de pequenos negócios antes mesmo de eles crescerem.

    Ela parece humilde.

    Parece empática.

    Parece responsável.

    Mas quase sempre nasce do medo.

    A pergunta é:

    “Será que as pessoas conseguem pagar isso?”

    Perceba.

    Antes mesmo de oferecer.

    Antes mesmo de testar.

    Antes mesmo de ouvir um único cliente.

    O empreendedor responde pela outra pessoa.

    Curiosamente, a ciência conhece esse comportamento há muito tempo.

    Não no empreendedorismo.

    Mas na biologia.

    O cérebro economiza energia.

    Nosso cérebro representa cerca de 2% do peso corporal.

    Mas consome aproximadamente 20% da energia do organismo.

    Por isso, ele odeia gastar energia quando pode prever.

    Ele cria atalhos.

    Generalizações.

    Suposições.

    É mais barato imaginar do que investigar.

    Quando alguém abre um negócio, acontece exatamente isso.

    Em vez de perguntar ao mercado…

    Pergunta para a própria cabeça.

    E a própria cabeça responde usando apenas uma referência.

    Ela mesma.

    Você não está estudando seu cliente.

    Está estudando seus medos.

    Existe um fenômeno muito conhecido na psicologia chamado projeção.

    Em termos simples…

    Nós atribuímos aos outros pensamentos, desejos ou limitações que, na verdade, são nossos.

    O empreendedor olha para um serviço de R$ 1.500 e pensa:

    “Eu jamais pagaria isso.”

    Então conclui:

    “Ninguém pagaria.”

    Mas essas duas frases não significam a mesma coisa.

    Uma fala sobre ele.

    A outra pretende falar sobre milhões de pessoas.

    É um salto enorme.

    Sem evidência.

    Um médico não pergunta quanto você pode pagar antes de fazer um diagnóstico.

    Um engenheiro não calcula a resistência de uma ponte olhando para o saldo bancário de quem vai atravessá-la.

    Um arquiteto não muda as leis da física porque o cliente gostaria que fosse mais barato.

    Primeiro existe o valor.

    Depois existe a negociação.

    No pequeno empreendedorismo acontece o contrário.

    Primeiro vem o desconto.

    Depois tenta-se descobrir se ainda existe valor.

    A natureza raramente desperdiça recursos.

    Imagine uma árvore.

    Ela produz milhares de sementes.

    Mas não espera que todas sobrevivam.

    Ela investe na abundância porque sabe que apenas parte encontrará o ambiente certo.

    O pequeno empreendedor faz exatamente o oposto.

    Ele tenta adaptar sua semente a qualquer solo.

    Baixa o preço.

    Muda o serviço.

    Retira etapas.

    Acrescenta bônus.

    Aceita qualquer condição.

    No final…

    Já não sabe mais qual era sua proposta original.

    Existe outra analogia interessante.

    O sistema imunológico não tenta agradar todos os organismos que entram no corpo.

    Ele seleciona.

    Reconhece.

    Decide.

    Aceita alguns.

    Rejeita outros.

    Essa capacidade de selecionar é justamente o que mantém o organismo vivo.

    Empresas também possuem um sistema imunológico.

    Chama-se posicionamento.

    Quando um negócio tenta atender todo mundo…

    Ele perde sua identidade.

    E um organismo sem identidade dificilmente sobrevive.

    A economia também explica esse comportamento.

    Existe um conceito conhecido como ancoragem.

    O primeiro número que aparece influencia nossa percepção dos próximos.

    O empreendedor faz uma pesquisa rápida.

    Encontra alguém cobrando R$ 80.

    Outro cobrando R$ 100.

    Outro cobrando R$ 120.

    Automaticamente acredita que esse é o preço correto.

    Mas quase nunca pergunta:

    Quanto custa manter este negócio saudável?

    Quanto custa continuar estudando?

    Quanto custa descansar?

    Quanto custa não trabalhar doze horas por dia?

    O preço passa a ser construído olhando para os concorrentes.

    Nunca para a realidade do próprio negócio.

    Talvez o maior erro seja outro.

    Confundir acessibilidade com desvalorização.

    São coisas diferentes.

    Um negócio pode criar formas de facilitar o pagamento.

    Parcelamentos.

    Produtos de entrada.

    Versões simplificadas.

    O que ele não precisa fazer é convencer a si mesmo de que seu trabalho vale menos do que realmente vale.

    Porque toda vez que isso acontece…

    O empreendedor não reduz apenas um preço.

    Reduz também a expectativa de crescimento.

    Reduz sua capacidade de investir.

    Reduz seu tempo de descanso.

    Reduz a qualidade de vida da própria família.

    O curioso é que quase ninguém empreende para isso.

    As pessoas começam um negócio buscando liberdade.

    Mas, aos poucos…

    Passam a negociar justamente aquilo que desejavam conquistar.

    Tempo.

    Saúde.

    Presença.

    Família.

    Tudo isso para caber em um preço que nunca foi definido pelo mercado.

    Foi definido pelo medo.

    Talvez a pergunta esteja errada desde o começo.

    Em vez de perguntar:

    “Quanto as pessoas conseguem pagar?”

    Talvez seja mais útil perguntar:

    “Que transformação eu entrego?”

    Porque pessoas raramente compram horas.

    Compram redução de sofrimento.

    Compram segurança.

    Compram tempo.

    Compram confiança.

    Compram significado.

    O preço não nasce apenas do custo.

    Nasce da transformação percebida.

    E essa percepção começa muito antes da venda.

    Ela começa no momento em que o próprio empreendedor deixa de olhar para seu trabalho como um gasto…

    …e passa a enxergá-lo como um investimento na vida de alguém.