Um homem, ao descobrir uma traição, mata os próprios filhos. Era 2026, dias antes do Carnaval. Diante de um crime dessa natureza, o que realmente deveria nos preocupar? A suposta “destruição” emocional causada por uma mulher? Sadismo individual? Falência moral? Cultura da violência? Transtorno de personalidade?
Nada disso pode servir como explicação que suavize o horror. Nenhuma traição, nenhuma dor narcísica, nenhuma humilhação pública transforma assassinato de crianças em algo compreensível. O crime contra dois filhos é absoluto. Ele não nasce da honra, nem do amor ferido, nasce da incapacidade de lidar com frustração sem recorrer à destruição.
Quando parte da sociedade tenta relativizar esse tipo de ato, deslocando a culpa para a mulher ou para circunstâncias emocionais, algo ainda mais grave acontece: normaliza-se a violência como resposta legítima ao sofrimento. Justificar o mal não apenas distorce valores, ele cria terreno para que outros se sintam autorizados a agir da mesma forma. A apologia ao crime já é crime; mas, no campo moral, ela é ainda mais corrosiva, pois amplia o dano ao incentivar novos agressores.
O criminoso já destruiu sua própria vida e a de suas vítimas. Quem o justifica contribui para a perpetuação da mesma lógica de ódio e irresponsabilidade. Nenhuma narrativa de “honra”, “dor masculina” ou “desespero” pode se sobrepor ao princípio básico da civilização: crianças são invioláveis.
Se existe algo a ser combatido aqui, não é a traição, é a cultura que transforma frustração em violência e tenta vestir barbárie com o nome de justificativa.
Deixe um comentário